Na última sexta feira, dia 14 de setembro, o Clube de
Geografia teve o orgulho de receber para um bate papo informal e bem humorado
duas escritoras fantásticas de nossa cidade e arredores. O encontro aconteceu
em nossa sala de encontros, de duas as quatro da tarde.
Marcia Rubim, autora do livro Adeus à humanidade, publicado
pela editora Novo Século, contou-nos um pouco sobre seu sucesso vampiresco, que
não se aproxima em muitos aspectos de sagas como Crepúsculo e Diários do
Vampiro.
Renata Martins, autora de livros como Adolescente, alguém te
entende, e contou-nos os desafios de uma publicação independente, e sobre seu
livro que trata de Deus e Adolescentes, uma relação que, como diz a autora, é
bastante difícil se não for auxiliada por pais e familiares.
Juntas, as escritoras falaram do mercado editorial, ajudaram
os membros do clube numa nova empreitada que está por vir, e, é claro,
respondeu às nossas perguntas – que não foram poucas.
O bate papo foi informal e divertido, e o Clube de Geografia
sente-se honrado pela troca de conhecimento.
À Renata Martins e Márcia Rubim ficam os nossos sinceros
agradecimentos, votos de sucesso, e expectativas de um novo encontro.
Abaixo uma série de depoimentos sobre o nosso país, escritos esse ano por adolescentes. Vejam se não vão lembrar os pensamentos que tiveram na adolescência de vocês e reflitam sobre as mudanças necessárias em uma sociedade quase inerte.
"Meu nome é Nathália Coelho, tenho 12 anos e moro no Rio de Janeiro. Sempre amei animais e sempre achei que na 'cidade maravilhosa' eles eram valorizados por todos. Porém, vejo animais nas ruas, feridos, abandonados, desnutridos, com todos os tipos de problemas que se possa imaginar. Vejo também que muitos os ignoram, mas eles estão lá, basta ter atenção para ver. Os ajudo da maneira que posso, pois me incomodo tanto com a dor deles que parece que sou eu que a sinto. A única coisa que as pessoas não sabem sobre os animais é que podem maltratá-los, xingá-los, abandoná-los, mas se alguém tentar fazer o mesmo com você, verá que os animais serão os primeiros a te proteger."
"Estou no 8º ano, vivo no Brasil. Uma coisa que me irrita no meu país é a política. As vezes eu paro e penso: no dia das eleições as pessoas vão para os locais determinados e votam, escolhem os seus representantes e, na maioria das vezes, essas humildes pessoas se decepcionam. Por esse motivo, agradeço por ter 13 anos e com isso vai demorar muito tempo ainda para eu ser obrigada a votar." (Lezye Veiga, 13 anos, Brasil)
"Estou no 8º ano, moro em São Gonçalo. Quando ando na rua vejo sempre moradores de rua, isso é um sinal de que existe ainda muita pobreza aqui no Brasil. Apesar disso, muitos estão 'nadando no dinheiro' e nem ligam para isso. Os governantes apenas expulsam os moradores de rua do local e eles vão para outro e é sempre assim." (Wallery Caroliny, 12 anos)
"Estou no 8º ano, moro no Brasil e estudo no colégio Auxiliadora. Sou apaixonada por roupas, quando vou ao shopping não compro muita coisa, mas vejo outras pessoas com várias sacolas gastando todo o dinheiro. Penso: Será que não sabem que enquanto elas estão gastando tudo, tem pessoas lá na rua passando fome? No Brasil tem muita desigualdade social, umas pessoas tem muito dinheiro e outras não tem nem onde dormir. Mesmo sendo nova, percebo essa desigualdade e acho errado. Muitas pessoas só pensam em si, não se preocupam com o futuro. Como estará a sociedade na época dos nossos filhos? Temos e podemos resolver esse problema." (Ana Clara Seixas, 13 anos, Brasil)
"A natureza sempre foi minha maior paixão, porém cada vez mais está se desgastando e as pessoas em vez de ajudar a preservar, estão poluindo e desmatando mais. Eu acho que o ser humano poderia parar e pensar um pouco no futuro. Como poderemos viver sem a natureza?" (Brenda Quintanilha, 13 anos)
"Estou no 8º ano, gosto de andar pelas ruas, mesmo sendo jovem vejo que no Brasil há muita desigualdade social, pessoas dormindo no chão, pedindo esmolas e ninguém toma uma atitude. Acredito que as coisas ainda possam mudar, com certeza haverá alguém que enxergue que a desigualdade social é uma coisa errada, todos temos direito a um lar. Por enquanto, infelizmente, muitos políticos corruptos gastam milhões com shows particulares e mansões em diversos lugares. (Emanuelle Eirim, 12 anos, Brasil)
"Oi, eu adoro jogar futebol. O Brasil é uma fábrica de jogadores e eu queria ser um produto dessa fábrica. Jogo futebol desde os 4 anos de idade e sempre gostei. O que eu não gosto são dos jogadores que levam o jogo na maldade e dos que usam drogas. É isso que estraga uma carreira e ainda podem influenciar as crianças. Isso precisa mudar." (Matheus Domingues, 12 anos, Brasil.)
Bem, os problemas são os mesmos há anos, e num país democrático a solução está ainda nas urnas, no voto consciente e mais do que isso, em um povo consciente dos seus direitos e deveres.
Refrigerante pode ser causa de comportamento agressivo em jovens
Um estudo estadunidense publicado nesta segunda-feira na revista "Injury
Prevetion" concluiu que o uso abusivo do refrigerante está relacionado
com o comportamento violento em jovens. De acordo com a pesquisa, a
bebida pode aumentar em 15% a chance de conduta agressiva. Foram
observados adolescentes que bebem mais de cinco latas por semana de
refrigerantes não-dietéticos. Estes, devido ao perfil de consumo
estariam mais propensos à atitudes violentas, como portar armas e
cometer agressões. A pesquisa foi realiza com 1.878 adolescentes, com
idades entre 14 e 18 anos, por 22 escolas públicas de Boston. Os
jovens foram divididos com perfis de consumos diferentes. Aqueles
classificados como baixo consumo e alto consumo, de acordo com o número
de latas de refrigerante consumidas por semana. Do total, um terço ficou
dentro da última categoria. A pesquisa também realizou
entrevistas a respeito do comportamento dos adolescentes com parentes e
amigos. Porém, o perfil individual do consumir também pode afetar nos
resultados da pesquisa, como gênero, consumo de tabaco, álcool e padrão
de sono. "Pode haver uma relação direta causa-efeito, talvez
devido ao conteúdo de açúcar ou cafeína nessas bebidas, ou pode haver
outros fatores, não analisados ainda, que relacionem alto consumo de
refrigerantes a agressão", aponta o estudo.
Fonte: sidneyrezende.com
A Opinião:
Chegou o século XXI e, o que era muito difícil de ser entendido, está quase indecifrável: O comportamento dos adolescentes.
Para entender melhor é fundamental compreender alguns aspectos que mudaram a rotina da sociedade. Vamos a alguns e estamos abertos a sugestões nos comentários:
1- A alimentação mudou, passamos a consumir mais produtos industrializados e semi-prontos, repletos de cafeína, açúcar, sódio e os aromatizantes para dar cor e sabor. Deixando de lado alimentos naturais, logicamente mais saudáveis. A indústria alimentícia literalmente se alimenta da nossa fome por novidades e total desprezo pelo conhecimento. É gostoso? Então não importa se faz mal.
2- As famílias estão ficando reduzidas, muitos são filhos únicos, outros possuem apenas um irmão. Dessa forma, surge uma geração que "não convive" com irmãos, primos, amigos, enfim...precisam suprir essa carência com bens materiais que não aceitam dividir, simplesmente porque não sabem.
3- A tecnologia ampliou o conforto e o sedentarismo. Para que sair se tudo chega nas suas mãos? Criamos uma geração mal acostumada.
4- As ideias difundidas por novas e "geniais" pesquisas, que praticamente proíbem as crianças de sofrer. E ai daqueles que causarem sofrimento. Banalizamos a hiperatividade e o déficit de atenção, além de amplificarmos os efeitos nocivos das gozações dos colegas sob o nome de bullying. Tudo traumatiza, tudo faz mal, compreenda as crianças, são apenas fases que não podem ser puladas ou mesmo interrompidas. Cada um aprende ao seu ritmo. Enfim, temos uma sociedade em formação que não é capaz de assumir os próprios erros. É como se a parte mais forte do corpo nesse século fosse o dedo indicador.
5- A terceirização da educação é grave também. Para que estar do lado do filho e ensinar coisas novas? Deixe com os DVDs "Xuxa só para baixinhos". Os responsáveis dizem: "É ótimo, meu filho já sabe todas as letras e dança todas as músicas". Se colocarmos na ponta do lápis, muitas crianças passam mais tempo na frente da televisão e de outros aparelhos eletrônicos do que com os pais. Quando crescem um pouco chega a hora de fazer natação, balé, inglês, futebol, música e depois dessa maratona toda...terapia.
Enfim, acredito que difícil não é entender o comportamento adolescente, mas sim o dos adultos, que se fazem de cegos deixando tudo acontecer diante dos seus olhos e ainda dizem não saber mais o que fazer. A culpa é do refrigerante....pronto! Tão simples! #Ironiamodeon
Estudo aponta que adolescente tem acesso facilitado ao cigarro
Durante o lançamento da campanha “Viver bem é viver com saúde. Fique longe do cigarro”, do Ministério da Saúde, foi revelada uma pesquisa que indica que os adolescentes que vivem no Brasil tem acesso fácil para comprar cigarro, mesmo com uma Lei Federal que proíbe a venda do item a menor de idade.
De acordo com o estudo realizado pelo Instituto Nacional de Câncer Jose Alencar Gomes da Silva (INCA), entre aos adolescentes com ide de 13 a 15 anos, as meninas são as que mais compram cigarro, com 52,6%, conta 48,1% dos meninos. No dia foi comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, gravou uma mensagem especial.
“A luta contra o tabaco tem que ser incansável por aqueles comprometidos com a saúde pública do nosso País. Hoje o Brasil tem mais ex-fumantes do que fumantes, mas não podemos nos contentar com esse resultado”, disse.
Na opinião do ministro, o país deve aproveitar a Assembleia Geral da ONU, que acontece em setembro, para continuar a abordar o fumo e os desafios da luta contra o cigarro. Entre as medidas já utilizada pelo Brasil está o aumento de tributos e impostos sobre o cigarro. A medida deve utilizar uma nova polícia geral de preços. Dessa forma, a carga para o item chegará a 81%, buscando frear o consumo de adolescentes.
No site do Ministério já é possível acessar o material educativo da nova campanha. A campanha deseja mobilizar e alertas a sociedade sobre os danos que o cigarro causa, seja social, econômico, ambiental e para a saúde.
A Opinião:
O combate ao cigarro entre os mais jovens é uma medida acertada por parte do governo, trata-se de uma indústria cujo produto faz muito mal a saúde, ou seja, lucram com a desgraça dos outros.
O que impressiona é que apesar de toda propaganda contrária ao consumo de cigarro, das limitações de espaço para fumar, do custo e dos comprovados prejuízos a saúde, continua sendo uma indústria lucrativa, continuam faturando milhões por ano.
É, explorar a estupidez humana acaba sendo um bom negócio. Resta apenas continuar a luta contra o cigarro, de maneira incessante, porque eles não vão parar de montar estratégias para vender cada vez mais, não importa se pessoas serão prejudicadas. Capitalismo selvagem.
Novas medidas do Código Penal podem inspirar mudanças no ECA
As recentes alterações das medidas cautelares do Código de Processo Penal (com a Lei nº 12.403/2011) podem inspirar mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completa nesta quarta-feira (13/07) 21 anos.
A possibilidade é considerada pelo vice-presidente da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ariel de Castro Alves. Segundo o advogado, as mudanças do Código de Processo Penal “podem inspirar possíveis modificações, adaptações e adequações do ECA”.
Para o defensor público da Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Sérgio Domingos, “essas novidades trazem algum alento para desafogar a internação”. De acordo com dados da Secretaria de Direitos Humanos, em 2010 havia 17.703 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas que restringem a liberdade de ir e vir (internação, internação provisória ou semiliberdade).
Em números absolutos, São Paulo é a unidade federativa com mais adolescentes nessa situação (6.814). Em termos relativos, o Distrito Federal é a que tem mais adolescentes internados: são 29,6 jovens reclusos a cada grupo de 10 mil adolescentes, enquanto a média nacional é 8,8 internados a cada grupo de 10 mil.
Entre as novas medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal estão o recolhimento à noite; restrições à circulação em determinados locais; a obrigação de comparecimento diante do juiz; a proibição de sair da área de jurisdição da comarca ou Vara da Infância e da Juventude; e a internação domiciliar. Para Ariel de Castro Alves, a extensão dessas ações a jovens pode ser estudadas, com a vantagem de “o adolescente não precisa ficar dentro de uma unidade de internação sujeito inclusive a situações, em alguns casos, degradantes e nada socioeducativas”.
O advogado, no entanto, faz ressalvas à aplicação do monitoramento eletrônico, conforme estabelecido no código. “O adolescente tem que ser protegido de qualquer forma de constrangimento e humilhação. Ele pode até aderir”, avalia salientando que os “adolescentes são inimputáveis, não respondem diante da legislação penal”.
Para a advogada Eloísa Machado, da organização não governamental (ONG) Conectas, as “analogias” entre o Código de Processo Penal e o ECA são difíceis de se sustentarem juridicamente porque o estatuto é regido pelo Código de Processo Civil. Ela lamenta que o ECA ainda não “é uma lei que não tem sua plena observância” garantida pelos órgãos públicos. “Ainda lutamos pela plena implementação”, diz.
Para o defensor público Sérgio Domingos faltam, por exemplo, recursos materiais e pessoais para efetivar a liberdade assistida estabelecida no ECA, que prevê medidas socioeducativas como a prestação de serviços à comunidade, o tratamento psicológico e o comparecimento escolar – medidas que exigem acompanhamento.
Além da não implantação total do ECA, a advogada Eloísa Machado acrescenta que há diversas propostas que ameaçam o estatuto, como o aumento do prazo de cumprimento de medida socioeducativa (hoje três anos) e a redução da maioridade penal. Em 2007, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou a redução da maioridade para 16 anos. No próximo mês, o Senado deve votar o Projeto de Lei 1.627/2007 (do Executivo) que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
A Opinião:
O mundo muda a cada momento e está mais integrado e dinâmico, daí a importância de se preservar ainda mais nossas crianças e adolescentes. Hoje o acesso as informações é imediato e os mais jovens possuem maior intimidade com as novas tecnologias do que os adultos.
Por esse motivo, é necessário que haja uma orientação para que crianças e jovens, possam saber utilizar as informações recebidas para que os valores humanos não sejam substituídos por valores econômicos.
Não é censurando ou coibindo que essa mudança ocorrerá, mas monitorando, acompanhando de perto todas as informações recebidas pelas crianças e adolescentes e conversando com elas sobre todos os temas, ajudando-os na preparação para o mundo. Não adianta fechá-los em uma redoma de vidro, até porque o vidro é transparente e permite que se enxergue o exterior.
É aí que mora o perigo, no acesso sem acompanhamento, na falta de debate e informação de qualidade, que fará com que os menores tenham uma interpretação própria e muitas vezes distorcida da realidade.
Quando isso ocorre, é comum que cometam delitos, que precisam ser corrigidos. As medidas socioeducativas precisam ser bem pensadas para, de fato, recuperarem o jovem infrator. É necessário observar também o contexto onde este vive para compreender as causas que o levaram a agir assim.
Espero que essas mudanças não venham apenas para "passar a mão na cabeça" dos infratores, pois assim ficará mais difícil diferenciar o certo e o errado.