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domingo, 23 de outubro de 2011

A situação da Líbia


Os Fatos:

CNT diz que lei islâmica será a base de novo governo da Líbia

O líder do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, Mustafa Abdel Jalil, disse neste domingo que a sharia (lei islâmica) deve ser a base para o novo governo da Líbia. "Qualquer lei que contradiga a sharia islâmica é nula e vazia, legalmente falando", disse Jalil, durante a cerimônia em que o governo interino declarou oficialmente a libertação do país.

A cerimônia aconteceu em Benghazi, berço da revolta contra o regime ex-líder Muamar Kadafi, diante de milhares de pessoas. Kadafi foi morto na última quinta-feira, depois de ser capturado pelas forças do CNT, apoiadas pela Otan, em sua cidade natal, Sirte. No entanto, o governo interino sofre pressão para dar início a uma investigação sobre o momento da morte do ex-líder líbio.
Nesta sexta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reforçou o pedido de inquérito sobre as circunstâncias em que Khadafi foi morto. Hillary disse que, apesar de entender o alívio do povo líbio, ninguém quer ver um ser humano nestas condições, referindo-se às imagens que mostram Khadafi com forte sangramento e pedindo por sua vida.
Durante a cerimônia, o vice-diretor do CNT, Abdel Hafiz Ghoga anunciou que a Líbia havia sido libertada, dizendo: "Declaração de liberação. Levante sua cabeça. Você é um líbio livre". Em seguida, milhares de vozes repetiram a frase "Você é um líbio livre" em uníssono.
O líder do CNT, Abdel Jalil ajoelhou-se para agradecer a Deus pela vitória diante da multidão e pediu por perdão, reconciliação e unidade no país. "Hoje nós somos uma só carne nacional. Nos tornamos irmãos unidos como não éramos no passado", disse.
Ele agradeceu a todos os que fizeram parte da revolução, incluindo os jornalistas que a apoiaram, e desejou sorte aos manifestantes anti-governo na Síria e no Iêmen.
Ele disse ainda que rejeitaria quaisquer leis que vão contra os princípios da lei islâmica, citando como exemplo a lei sobre poligamia que é vigente no país.
"Um exemplo é a lei de casamento e divórcio, que restringe a possibilidade de ter múltiplas esposas. Essa lei vai contra a sharia islâmica e será rejeitada."
Jalil foi aplaudido pela multidão ao mencionar a lei e disse ainda que o governo reformaria o sistema bancário, que também deve estar em conformidade com a sharia. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, comemorou a declaração de liberdade e pediu "uma nova Líbia inclusiva, baseada na reconciliação e no total respeito pelos direitos humanos e pela lei".
Ele afirmou também que a Otan manteria sua "capacidade de responder às necessidades dos civis, se necessário". Horas antes, o primeiro-ministro interino da Líbia, Mahmoud Jibril, diz que eleições parlamentares devem acontecer até junho de 2012. Segundo ele, os parlamentares eleitos deverão elaborar uma constituição que será votada em um referendo popular e formarão um governo interino até as eleições presidenciais.
Ainda não há informações confirmadas sobre o paradeiro de Saif al-Islam, considerado possível sucessor de Khadafi, e do temido chefe de segurança do coronel.
Enquanto isso, o corpo de Khadafi e de seu filho Mutassim, também morto na quinta-feira, foram levados para um contêiner refrigerado em Misrata e exibidos à população, que formou longas filas do lado de fora.
Segundo fontes médicas, uma autópsia foi realizada neste domingo, concluindo que Khadafi morreu com um tiro na cabeça.
Os corpo devem agora ser entregues a integrantes de sua tribo para serem enterrados, segundo o porta-voz do CNT, Mustafa Goubrani.
No sábado, o comandante das forças que capturaram Khadafi assumiu a responsabilidade pela morte do ex-líder.
Em entrevista exclusiva à BBC, Omran el Oweib disse que o coronel foi arrastado para fora do cano de drenagem onde ele foi encontrado, deu cerca de dez passos e caiu no chão ao ser atacado por um grupo de combatentes furiosos.
O premiê interino, Mahmoud Jibril, disse à BBC que queria que Khadafi não tivesse sido morto.
Ele também afirmou ser a favor de de uma investigação completa sobre as circunstâncias da morte do coronel, como defende a ONU.
Muamar Khadafi, que chegou ao poder após um golpe em 1969, foi derrubado em agosto, após meses de combates.


Veja os principais fatos do governo de Muamar Kadafi

O líder deposto da Líbia Muamar Kadafi, morto nesta quinta-feira, passou 42 anos no poder e se tornou o líder com mais tempo de governo tanto na África quanto no mundo árabe.
Kadafi foi deposto em agosto, após sete meses de protestos e conflito armado na Líbia, quando forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes e hoje governo interino do país, tomaram o controle da capital, Trípoli.
Veja os principais fatos da era Kadafi:
1o de setembro de 1969: Movimento dos Oficiais Livres, liderado por Muamar Kadafi, expulsa o rei Idriss e instala o Conselho de Comando da Revolução. Kadafi assume o poder.
1973: Líbia ocupa a Faixa de Auzu (norte do Chade) até 1994. Neste período, as forças líbias intervêm várias vezes no conflito do Chade.
Setembro de 1976: Publicação do "Livro verde" de Kadafi, na qual explica sua filosofia política, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo.
Março de 1977: Kadafi cria o conceito de "Jamahiriya" ou "Estado das massas", em que o poder é exercido através de milhares de "comitês populares". A teoria alega também resolver as contradições inerentes no capitalismo e comunismo, para colocar o mundo em um caminho de revolução política, econômica e social e libertar os povos oprimidos.
8 de janeiro de 1986: Washington põe fim nas relações econômicas com a Líbia e pede que Kadafi seja tratado "como um pária", acusado de estar envolvido em atentados contra Roma e Viena em dezembro de 1985
14 de novembro de 1991: Dois líbios são acusados de participação em um atentado contra um Boeing da PanAm em Lockerbie, na Escócia, que aconteceu em dezembro de 1988 e deixou 270 mortos). Em 2001, Abdelbaset Ali al-Megrahi é condenado à prisão perpétua por um tribunal escocês. Em 2009, é libertado.
31 de março de 1992: Líbia sofre embargo aéreo e militar da ONU, seguido de sanções econômicas. As últimas sanções foram retiradas em 2003 após um acordo de compensação às famílias das vítimas de Lockerbie.
1995: Expulsão de mais de 300 mil estrangeiros "em situação irregular". Em 1985, Trípoli expulsou 30 mil trabalhadores tunisianos, o que provocou a ruptura das relações diplomáticas com a Tunísia até 1987.
10 de março de 1999: Justiça francesa condena à prisão perpétua seis agentes líbios acusados de serem os autores do atentado ao DC-10 francês de UTA no Níger, que deixou 170 mortos em 1989.
19 de dezembro de 2003: Trípoli renuncia ao desenvolvimento de armas de destruição em massa.
9 de janeiro de 2004: Acordo de indenização das famílias das vítimas do DC-10.
2005: Várias companhias petrolíferas, principalmente americanas, retomam suas operações na Líbia.
15 de maio de 2006: Restabelecimento das relações diplomáticas completas com Washington. Retirada da Líbia da lista americana dos Estados que apoiam o terrorismo.

A Opinião:
Hoje parece não haver mais a necessidade de julgamento. Os detentores dos meios de comunicação fazem isso pelo mundo e a população simplesmente comemora a morte de um ser humano que sequer conheceram.
É a sede de sangue, não estou aqui para defender o ditador que criou em Março de 1977 o conceito de "Estado das massas", em que o poder é exercido através de milhares de "comitês populares". Numa das grandes contradições desse caso. 
Apenas gostaria de ver o julgamento, conhecer os fatos que o levaram a ser assassinado.
De qualquer forma é a virada de Barack Obama que faz 2 a 1 no George W. Bush com gols de Osama Bin Laden e Muamar Kadafi para o time do Obama e de Saddam Hussein para o Bush.

 



domingo, 18 de setembro de 2011

Tony Blair visitou Kadhafi em 2008 e 2009


O Fato:

Tony Blair visitou Kadhafi em sigilo em 2008 e 2009

O ex-premier britânico Tony Blair fez duas viagens privadas à Líbia e teve reuniões com Muamar Kadhafi antes da libertação, pelo governo da Grã-Bretanha, do líbio condenado pelos atentados de Lockerbie, informa o jornal Sunday Telegraph.
Blair, que deixou o cargo de primeiro-ministro em 2007, utilizou um jato privado do regime líbio para visitar Kadhafi em junho de 2008 e abril de 2009, destaca o jornal, que cita documentos encontrados em Trípoli desde a queda de Kadhafi.
Blair teve um papel importante no descongelamento das relações com o ditador líbio, em troca do abandono pelo regime de Trípoli do programa de armas nucleares. A primeira visita aconteceu quando o trabalhista ainda estava no poder, em maio de 2004.
Um porta-voz de Blair confirmou que as outras visitas aconteceram e que os líbios apresentaram a questão de Abdelbaset Ali Mohmet al-Megrahi, detido na Escócia pelo atentado de Lockerbie.
Mas a fonte destacou que Blair respondeu que uma eventual libertação do líbio por razões de saúde era uma decisão da justiça escocesa.
A libertação aconteceu em agosto de 2009, após o cumprimento de apenas oito dos 27 anos de prisão a que o líbio havia sido condenado.
Megrahi era a única pessoa condenada pelo atentado de dezembro de 1988 contra um avião da Pan Am que deixou 270 mortos, em sua maioria americanos, quando a aeronave explodiu no ar quando sobrevoava a Escócia.
A revelação aumenta a pressão sobre Blair para que explique o teor das conversas com Kadhafi depois que deixou Downing Street.
O Sunday Telegraph afirma que os documentos mostram que as viagens de Blair em 2008 e 2009 aconteceram a partir de Serra Leoa em um avião cedido pelo próprio Kadhafi.

Fonte: AFP

A Breve Opinião:

Gostaria muito de saber o teor das conversas e como um  ditador "cruel e sanguinário" mantinha contato aparentemente amistoso com o ex-Primeiro Ministro da Grã-Bretanha. É importante saber para marcar o momento em que o ditador deixa de ser um simples chefe de Estado e se transforma em um dos piores inimigos da OTAN. O mistério está no ar.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Rebeldes na Líbia são armados pela OTAN



O Fato:

França lança armas de pára-quedas para rebeldes líbios

O Estado-Maior das Forças Armadas de França confirmou desta forma uma informação publicada esta quarta-feira pelo jornal Le Figaro que, citando uma "fonte francesa bem colocada", noticiou a largada de lança-mísseis, espingardas de assalto, metralhadoras e mísseis anti-tanque, entre outras armas. 
No início de Junho, a situação humanitária naquela zona era muito precária, pelo que aviões franceses lançaram "ajuda humanitária - víveres, água e material médico", segundo o porta-voz do Estado-Maior, coronel Thierry Burkhard.
"Durante as operações, a situação dos civis no terreno degradou-se. Também largamos armas e meios para lhes permitir defender-se, essencialmente munições", acrescentou.Tratou-se, segundo o porta-voz, de "armas que podem ser manejadas por civis, armamento ligeiro de infantaria, tipo espingardas".           
"Como a situação humanitária se degradou, completamos as entregas humanitárias com algumas armas", insistiu, acrescentando que foram "algumas largadas pontuais, durante vários dias, para evitar que os civis fossem massacrados". 
Uma fonte citada pela France Presse indicou por seu lado que França enviou armas, tanto lançadas de pára-quedas como através das fronteiras terrestres com os países vizinhos. Segundo essa fonte, 40 toneladas de armas foram enviadas para a região, nomeadamente "tanques ligeiros".
A decisão terá sido tomada na sequência de uma reunião em meados de Abril entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o chefe do estado-maior dos rebeldes líbios, o general Abdelfatah Younes.
Fonte citada pelo Figaro indicou por seu lado que o envio de armas foi decidido com base no interesse de França em dar apoio aos rebeldes naquela frente sul do combate contra o regime de Muammar Kadhafi.

A Opinião:

É assim que a OTAN promove a paz? O Envio de armas tinha o "nobre" objetivo de impedir que os rebeldes fossem massacrados. Agora a pergunta que não quer calar: Se o objetivo era esse por que não falaram ao mundo inteiro através de nota oficial? 

Vive-se em um mundo dominado pelo medo, onde os vilões são colocados como heróis e as vítimas como culpados. O que está acontecendo em vários países africanos parece muito com o que aconteceu durante a colonização das Américas, quando colocavam tribos indígenas rivais para lutar por países europeus. Alguns séculos depois, algo parecido acontece: Em vez da OTAN assumir o confronto, armam os rebeldes e aparecem como salvadores, afinal os pobres rebeldes seriam massacrados pelo cruel e sanguinário ditador. 

 

As "fronteiras artificiais" definidas pelos europeus (que pensaram apenas nos próprios interesses) colocaram tribos inimigas dentro de um mesmo território e com um vácuo de poder com o fim do neocolonialismo. É obvio que essa medida levaria a confrontos.

E é essa covardia que revolta, criam o problema, culpam as vítimas pelo problema e aparecem como solução. 

 

O Debate:

Qual é o real objetivo da OTAN?