Portugal cancelou quatro de seus 14 feriados como forma de combater a crise econômica.
Duas festas religiosas - o Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, e Corpus Christi, 60 dias após a Páscoa - e outros dois feriados - em 5 de outubro, dia que comemora a formação da República portuguesa em 1910, e o dia 1º de dezembro, que marca a independência de Portugal da Espanha em 1640 - foram suspensos por cinco anos a partir de 2013.
A decisão sobre quais feriados católicos seriam cortados foi negociada com o Vaticano.
O governo português já havia reduzido os salários dos funcionários públicos e elevado os impostos para diminuir o déficit orçamentário do país e lidar com a crise.
Portugal fechou um acordo, no ano passado, para receber um pacote de 78 bilhões de euros da União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.
O país espera agora que a suspensão dos feriados aumente a competitividade e impulsione a atividade econômica.
Fonte: BBC Brasil
A Opinião:
Será que o corte dos feriados pode amenizar a Crise na Europa? O governo português está tentando solucionar a crise com aumento de impostos, corte de gastos e agora com aumento de trabalho. São tentativas válidas e se obtiverem êxito poderão ser copiadas por outros países europeus.
É importante notar que os feriados religiosos "comerciais" não foram abolidos por aquecerem a economia, ninguém é louco de cancelar, por exemplo, o Natal.
Não há sinal de recuperação no mercado de trabalho mundial-OIT
A austeridade fiscal e as reformas trabalhistas severas não conseguiram criar empregos, levando a uma "situação alarmante" no mercado mundial do trabalho, que não mostra sinais de recuperação, disse a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no domingo (29/04).
Em países avançados, especialmente na Europa, o emprego não deve voltar aos níveis pré-crise de 2008 até o final de 2016 - dois anos mais tarde do que se havia previsto - , em consonância com a desaceleração da produção.
A América Latina está mais saudável, marcada por melhorias no Brasil, na Argentina e no México.
De acordo com o Relatório do Mundo do Trabalho 2012, divulgado pela OIT - agência das Nações Unidas -, cerca de 196 milhões de pessoas estavam desempregadas em todo o mundo no final do ano passado, número que a entidade prevê que passará a 202 milhões de pessoas em 2012, ou a uma taxa de 6,1 por cento.
"A austeridade não produziu mais crescimento econômico", disse Raymond Torres, diretor do Instituto de Estudos Internacionais do Trabalho da OIT, em coletiva de imprensa.
"Nem as reformas mal concebidas do mercado de trabalho podem funcionar no curto prazo. Estas reformas, em situações de crise, tendem a levar a mais destruição de empregos e muito pouca criação de vagas, pelo menos no curto prazo", declarou Torres, principal autor do relatório.
Aqueles que buscam trabalho há bastante tempo estão desmoralizados, e uma média de 40 por cento dos que estão em seu auge produtivo (25-49 anos) nos países avançados estão desempregados há mais de um ano, revelou o estudo.
A taxa de desemprego entre os jovens disparou, aumentando o risco de distúrbios sociais, especialmente em partes da África e do Oriente Médio.
O mercado de trabalho em geral se deteriorou nos últimos seis meses, com uma desaceleração significativa no caso dos países europeus, afirmou Torres. O desemprego está crescendo em um número relevante de países, incluindo mais de dois terços de nações europeias no último ano.
"O foco estreito de muitos países da zona do euro na austeridade fiscal está aprofundando a crise de empregos e pode até levar a outra recessão na Europa", disse ele. "Ademais, há menos progresso em outras partes do mundo, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o avanço na redução do desemprego parece estar diminuindo, e isso parece uma tendência".
A recuperação do mercado de trabalho também estagnou no Japão, afirma o estudo. A taxa de emprego estacionou ou deu um "duplo mergulho" na China, Índia e Arábia Saudita.
Somente seis economias avançadas viram aumento na taxa de emprego desde 2007: Áustria, Alemanha, Israel, Luxemburgo, Malta e Polônia.
O relatório afirma que os países fariam melhor promovendo a qualidade dos empregos e reforçando suas instituições, ao invés de desregular o mercado de trabalho.
Também sugere um melhor uso dos Fundos Estruturais Europeus e um aumento do salário mínimo nos países europeus como forma de "colocar um piso na recessão europeia".
Fonte: Portal R7
O vídeo abaixo é de 2006 e já mostrava a preocupação com o desemprego crescente.
A Opinião:
A Europa tem dito para a América ao longo dos anos: "Eu sou você amanhã!". Vimos o que aconteceu em relação a industrialização, a urbanização e a dinâmica populacional. Assim, se não quisermos ter o mesmo futuro em relação a economia, é fundamental compreendermos as causas dessa crise para não repetirmos os seus erros.
Há tempos que se fala em investir em educação para qualificação da mão-de-obra, mas o importante é saber se o mercado será capaz de absorver essa mão-de-obra que se tornará, em breve, abundante e qualificada. Com a competitividade acirrada pela globalização, onde a competição alcança uma escala mundial, a luta pela sobrevivência das empresas é feroz e não poupam esforços para aumentar a acumulação e aniquilar a concorrência.
No mundo atual, a palavra protecionismo é praticamente um crime, deixando as maiores empresas mundiais livres para dominar as empresas de menor porte em diversos países.
Com a busca por redução de gastos para ampliar a acumulação de capital em um mundo rodeado por tecnologia, a mão-de-obra humana não precisa mais ser numerosa. As empresas investem em qualidade e buscam funcionários criativos, capacitados e flexíveis.
O desemprego cresce junto com o crescimento da ganância dos grandes empresários, a tendência é aumentar os focos de insatisfação e os partidos de esquerda ganharem força. O socialismo pode ressurgir repaginado, embora não seja a solução para os problemas mundiais, será uma alternativa adotada por muitos países. Pode-se observar líderes de esquerda (ainda que com muitas atitudes de direita) ganhando espaço na América do Sul e recentemente na França.
Porém, não é a primeira crise enfrentada pelo capitalismo e não será a última. Assim como o socialismo, o capitalismo buscará uma repaginação. O poder que já esteve nas mãos dos Estados, das grandes empresas e das instituições financeiras, agora deve ser dividido também com grupos como o BRICS e enquanto o caos está formado, salve-se quem puder.
O número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza nos Estados
Unidos aumentou para 15,1% da população em 2010, chegando ao recorde de
46,2 milhões de pessoas. Os dados são do censo norte-americano,
divulgado nesta terça-feira (13/09). É o maior contingente de pessoas
abaixo da linha da pobreza dos últimos 52 anos, desde que os dados
começaram a ser coletados. Em 2009, 14,3% da população norte-americana
vivia abaixo da linha da pobreza.
O índice de aumento no número de pobres foi registrado pelo terceiro
ano consecutivo e é o maior desde 1993. Atualmente, um em cada seis
americanos vive na pobreza. Os Estados Unidos passam por um dos seus
piores momentos econômicos. O governo tenta buscar meios para reduzir os
impactos da crise, mas há também dificuldades políticas envolvendo as
negociações.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ao
Congresso que aprove, o mais rápido o possível, sem postergações ou
manobras, o projeto de lei que propõe medidas para a geração de
empregos. O pacote prevê a criação de postos de trabalho a partir de
cortes de impostos, gastos em projetos sociais e ajuda para governos
locais e estaduais.
No último dia 8, Obama anunciou cortes de impostos para pequenos
negócios e a classe média e o aumento da tributação sobre as grandes
empresas e os mais ricos, como fundamentos da proposta de US$ 447
bilhões destinados a reativar a criação de empregos nos Estados Unidos.
Fonte: Diário Liberdade
Nota de Diário Liberdade: Uma amiga leitora
estadunidense de Diário Liberdade alertou que este índice não reflete a
realidade factual da pobreza nos Estados Unidos, que provavelmente este
número é muito maior, dado que a medida utilizada para o cálculo é muito
antiga.
A Opinião:
Outras nações aprenderam a jogar o "jogo do capitalismo" e os Estados Unidos fizeram algumas apostas erradas, continuam na frente mas a vantagem para os demais diminui a cada rodada. A crise, somada com as medidas tomadas pelo governo para elevar o teto da dívida, multiplicado pelo aumento do número de pobres no país é igual a um futuro marcado por revoltas populares. É esperar para ver.
Protestos em massa impulsionam movimento por reformas em Israel
"As pessoas conhecem sua força, é como algo de que dependemos, não pode ser interrompido", disse Yonatan Levy, um dos líderes do novo movimento social israelense, em declarações à Rádio Israel.
Organizadores disseram que mais de 450 mil pessoas tomaram parte dos protestos de sábado, mantendo a pressão no governo de Netanyahu para abaixar o custo de vida e promover a igualdade social.
A polícia estimou os manifestantes em cerca de 300 mil. Concentrações nessa escala num país como Israel, com 7,7 milhões de habitantes, só costumam ser realizadas por questões de guerra ou paz.
As bases do protesto s ampliaram muito desde julho, passando de um punhado de estudantes acampados em barracas para uma mobilização nacional da classe média de Israel.
A coalizão de governo de Netanyahu não está sob ameaça imediata, mas os protestos demonstraram o potencial impacto eleitoral de centenas de milhares de eleitores saindo às ruas sob a bandeira da "justiça social".
Os líderes do protesto disseram que vão interromper as manifestações nas próximas semanas até que um comitê de reformas nomeado pelo governo apresente suas conclusões. Eles afirmaram que a aglomeração de barracas em Jerusalém seria desmontada na noite deste domingo, e o mesmo ocorreria depois com as outras.
Uma grande faixa na manifestação de sábado em Tel-Aviv —em uma praça cercada por algumas das lojas mais luxuosas da cidade— pedia que o orçamento do Estado seja reformulado para elevar os gastos com benefícios sociais.
Em declarações feitas a seu gabinete na manhã deste domingo, Netanyahu não deu indicações de que iria voltar atrás em sua recusa de modificar a estrutura orçamentária. Ele afirmou ter aberto uma brecha ao nomear o comitê de reformas, que deve apresentar suas recomendações dentro de duas semanas.
Fonte: Portal Terra
A Breve Opinião:
O capitalismo passa por um momento de crise e toda crise apresenta um risco e uma oportunidade.
A grande oportunidade é pensar novos formatos para o capitalismo, rever os erros do passado para que não se repitam no futuro.
Reservas superam US$350 bilhões pela primeira vez na história
As reservas internacionais brasileiras superaram pela primeira vez na história a marca de 350 bilhões de dólares, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados nesta quinta-feira.
Com base no conceito liquidez internacional, as reservas alcançaram 350,881 bilhões de dólares na véspera, valor recorde.
O número representa um crescimento de quase 70 por cento frente aos 206,486 bilhões de dólares registrados no final de setembro de 2008, mês em que a crise global se agravou.
Na época, o BC utilizou os recursos para prover liquidez ao sistema financeiro, abalado pela crise de confiança. Em maio de 2009, o BC retomou as compras de moeda estrageira no segmento à vista --para tentar conter a queda do dólar--, reimpulsionando as reservas.
Desde então, houve um salto de 145,305 bilhões de dólares no colchão. Apenas em 2011, o BC já adquiriu mais de 45 bilhões de dólares via as compras à vista, segundo dados relativos até sexta-feira passada.
Autoridades do governo têm feito coro sobre a importância das reservas internacionais como um dos anteparos do Brasil para enfrentar a recente turbulência nos mercados financeiros.
A presidente da República, Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda Guido Mantega, e o presidente do BC, Alexandre Tombini, vêm reiterando que as reservas são um dos instrumentos que permitirão ao Brasil manter-se firme caso haja uma deterioração no cenário internacional, lembrando que o país atualmente está mais bem preparado para absorver choques externos do que em 2008.
É muito bom ler uma notícia como essa e saber que o seu país que foi motivo de piadas até o final da década de 1990 começa a ser respeitado no cenário internacional e aparenta estar melhor preparado para enfrentar as crises.
Resta agora darmos um passo maior, no sentido de valorizar a educação e respeitar a memória do nosso povo.
Londres acorda para as consequências do pior tumulto em anos
Mais de 40 pessoas foram presas e 26 policiais ficaram feridos devido a uma série de manifestações que aconteceu desde a noite deste sábado (06/08) na região norte de Londres. Dezenas de pessoas foram às ruas e atearam fogo em prédios e veículos para protestarem contra a morte de Mark Duggan, de 29 anos, baleado pela Polícia na quinta-feira (04/08). Pai de quatro filhos, ele estava em um táxi e morreu em um incidente que também deixou um policial ferido, em circunstâncias ainda não esclarecidas.
Tudo começou com uma manifestação pacifista de aproximadamente 300 pessoas às 20h20 (horário local) de sábado, perto da delegacia da região de Tottenham. Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, um pequeno número de jovens provocou cenas de caos e inúmeros episódios de vandalismo.
A polícia divulgou que pelo menos 26 policiais ficaram feridos no tumulto. Nove tiveram que ser levados ao hospital e dois policiais continuam hospitalizados, assim como três civis. Quarenta e duas pessoas foram presas e algumas áreas do bairro continuam com cordões de isolamento.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a violência em Tottenham é "inaceitável'. A ministra do Interior, Theresa May, afirmou que a polícia metropolitana tem o seu total apoio para restaurar a ordem no bairro.
O vice-prefeito de Londres, Kit Malthouse, afirmou não imaginar qualquer desculpa para o ocorrido. "É totalmente revoltante ver isso nas ruas de Londres. Nós faremos todo o possível para evitar que isso se repita", disse. "Eu entendo que haja impaciência das pessoas [com a investigação sobre o caso Duggan], mas essas investigações demoram", completou.
Durante a madrugada, a Polícia Metropolitana, que vai ser responsável pela segurança dos Jogos Olímpicos de Londres no próximo ano, enfrentou perguntas sobre como permitiu que os tumultos atingissem tal escala.
O tumulto só foi controlado neste domingo, horas após confrontos esporádicos. Fumaça ainda saía de alguns prédios, tijolos cobriam as ruas e alarmes continuavam soando.
Em uma galeria nas redondezas, lojas de celulares e de produtos eletrônicos foram saqueadas, e caixas de televisores foram deixadas no lado de fora, junto com CDs e vidro das vitrines destruídas.
Os tumultos também aconteceram em meio a uma crescente inquietação na Grã-Bretanha, com a economia lutando para se recuperar, e em meio a profundos cortes nos gastos públicos e aumento dos impostos para eliminar um deficit orçamentário que atingiu mais de 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
A Opinião:
Essa notícia traz alguns fatos à tona.
1- Ano que vem teremos os Jogos Olímpicos em Londres. Nota-se então a falta de parcialidade na divulgação das notícias. Observem: no verão aqui do Rio de Janeiro, a cidade enfrentou enchentes e os meios de comunicação colocavam em dúvida a capacidade do Brasil de sediar um evento importante como os jogos olímpicos daqui a cinco anos. Ocorre então um protesto violento em Londres, há menos de um ano dos jogos olímpicos, mas não se questiona a capacidade para realizar o evento.
Acredito que ambas as cidades possuem capacidade para sediar os jogos, mas como a maioria das cidades do mundo, enfrentam problemas variados. O que se questiona aqui é o tratamento diferenciado oferecido as duas cidades.
2- Relacionam de maneira equivocada a falta de educação com a violência. Sabe-se que o povo Londrino possui uma boa educação, mas ainda assim foi possível ver atos de vandalismo. A falta de educação é uma das causas da violência sim, mas a principal causa é a revolta causada por injustiças.
3- O momento econômico de muitas nações protagonistas não é bom, e a maior parte do povo dessas nações não está acostumado a isso e não têm reagido bem a essas mudanças.
4- Protestos violentos ganham muito mais destaque na mídia do que protestos pacíficos, o que o tornam mais eficazes. Chamaram a atenção do mundo para um problema e, assim, os governantes da região vão precisar trabalhar para reverter esse quadro, antes que novos protestos violentos ocorram.
5- A União Europeia pode ter se precipitado ao incluir novos países no bloco, enfraquecendo assim o seu poderio.
Entenda melhor a crise da dívida nos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, tem uma tarefa árdua para cumprir até a próxima terça-feira: evitar que o país entre em bancarrota conseguindo um acordo quase que milagroso entre os líderes republicanos e democratas do Congresso, em relação ao aumento do teto da dívida norte-americana. Os impasses maiores estão relacionados com o pacote de medidas e o prazo de cumprimento da dívida. Mas, como o professor de Economia da PUC-SP, Antonio Carlos dos Santos, observa, “esta crise está mais ligada à política do que à economia”.
“Democratas e republicanos têm uma visão de sociedade e de mundo totalmente diferentes. Republicanos hoje estão literalmente tomados por uma visão extremamente conservadora e limitada da economia. Não há possibilidade de encontrar um ponto em comum. É uma situação muito delicada”, alerta ele.
Basicamente, a economia americana e mundial está nas mãos de dois partidos políticos que não se entendem e tem duas propostas distintas. Republicanos querem cortar gastos públicos, e com isso, políticas públicas assistencialistas, além de defenderem aumentar o teto da dívida suficientemente para desafogar o governo americano, mas com um acordo de curto prazo. Já os democratas aceitam alguns cortes, mas priorizam o aumento da arrecadação de impostos sobre os ricos e um acordo de longo prazo, pois, assim, teriam muito mais chances de reeleição em 2012. Mas, depois de gastar bilhões para aquecer a economia após a crise de 2008, será que cortar gastos seria uma boa ideia?
“A economia ainda não apresenta uma recuperação sólida, então cortar gastos não é bom. Aumentar a arrecadação de imposto é uma boa ideia porque quem vai pagar é o pessoal de alta renda. Tanto do ponto econômico quanto social, isso faz todo o sentido. Os democratas estão defendendo o sistema de bem-estar social e os republicanos estão tentando destruir o Welfare State dos EUA. É isso que está em jogo”, analisa Antonio Carlos.
Afinal, como os Estados Unidos, a maior potência econômica do mundo, conseguiram chegar a esse ponto, prestes a declarar moratória? O professor de Política Internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), Adriano Freixo, responde:
“Nos últimos anos, os gastos públicos norte-americanos aumentaram enormemente, por conta do envolvimento em inúmeras guerras e das medidas para combater os efeitos da crise de 2008. Historicamente, a dívida norte-americana é alta, mas nesta última década a situação se agravou enormemente. E isto não se deve somente ao governo Obama, o governo Bush também abusou do cofre público”, explica Freixo.
A rivalidade antiga entre os dois principais partidos dos EUA, que se acirrou no governo Obama (a oposição republicana do governo de Bill Clinton não era tão intransigente) pode pôr tudo a perder. Caso o acordo não saia, a economia mundial conheceria o verdadeiro caos, sem uma moeda de referência, já que todas as economias se baseiam no preço do dólar e o euro não está lá essas coisas. Só a possibilidade de não se chegar a um acordo já tem impactado o mercado, com a queda da bolsa no mundo inteiro. Se, efetivamente, a crise não tiver solução e o dólar continuar caindo, esta desvalorização pode afetar nosso mercado, prejudicando ainda mais nossas exportações, nossas indústrias, aumentando a entrada de importados, entre outras coisas.
“Acredito que eles vão conseguir entrar em um acordo dentro do prazo, mas não está mais na esfera da loucura se isso não acontecer. O cenário alternativo é tão catastrófico que é melhor nem pensar e as pessoas não estão nem considerando”, diz Antonio Carlos.
Freixo já é mais otimista e acredita que “as próprias pressões que a sociedade norte-americana começa a fazer sobre seus congressistas para que se chegue a um acordo mínimo pode facilitar uma solução nos próximos dias”.
Barack Obama enfrentou grandes leões em seu primeiro mandato. Além de ter que lidar com os altos custos das guerras e com redução da carga tributária, criações de seu antecessor, Obama herdou uma imensa dívida que sucumbiu na crise econômica de 2008, primeiro ano de seu mandato. Diante dos frequentes ataques da oposição e da insatisfação da população, que se viu em uma situação econômica há muito tempo não experimentada, obrigada a encarar um alto índice de desemprego, sua reeleição poderia estar em risco, não fosse o “heróico” assassinato de Osama Bin Laden.
“A morte do Bin Laden foi positiva e o Obama capitalizou isso em termos de imagens para seu governo para tentar a reeleição. É difícil avaliar se ele seria reeleito ou não, pois existe uma certa imprevisibilidade. Se houver mesmo um agravamento da crise, isso não necessariamente vai recair sobre o Obama. Depende de como vai ser essa crise e como ela vai ser compreendida pelo eleitorado norte-americano”, avalia o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcus Ianoni.
Já Antonio Carlos analisa a situação de forma menos imparcial.
“Quando chega o momento de tomar a decisão certa, os americanos acabam tomando. No fim das contas, vai prevalecer o bom censo e os democratas vão ganhar. Principalmente porque os candidatos republicanos que até agora se apresentaram não são convincentes. O Obama, na minha opinião, é um animal político genial”, finaliza.
A Opinião:
Parece que a política bélica está cobrando seu preço agora e embora a crise esteja no momento mais agudo, o principal culpado não é o governo Obama e sim o governo Bush, afinal foram oito anos desastrosos.
Quando o Barack Obama foi eleito, o mundo se encheu de esperança, porém observa-se agora um governo pífio, que não conseguiu levar os Estados Unidos para longe do lamaçal para onde estavam caminhando.
Um presidente que ganhou o Prêmio Nobel da Paz mesmo envolvido em guerras, ele, que foi superestimado, até mesmo sobrevalorizado, apareceu como solução antes mesmo de ter sido testado e assim toda essa euforia em torno do nome do Obama agora se reverte em frustração.
Belos discursos, porém sem atitudes concretas. O assassinato (até agora envolto em mistério) do Osama Bin Laden, de fato serviu como cortina de fumaça para encobrir a crise, pena que não conseguiram resolver antes da fumaça se dissipar.
Pelo menos esse "ato heróico" de assassinar (mas cadê o corpo?) o inimigo número 1 dos Estados Unidos pode servir para garantir uma reeleição de um herói, um mito, que nada fez até o momento para justificar o cartaz que recebe.
O Debate:
Será que o mundo deixará de ter uma nação hegemônica?
A situação na Europa é tão grave que Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, convocou para hoje uma reunião de emergência com a presença de Jean Chaude Triched, presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, o chefe dos ministros das Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o comissário da União Europeia para Assuntos Econômicos, Olli Rehn: tudo por causa do risco de default de Grécia e dos riscos de contaminação da Itália e do agravamento da situação de Portugal, Irlanda e, mesmo, da Espanha.
A percepção do mercado financeiro é de que a Itália – terceira maior economia da zona do euro – seria a provável próxima vítima da contaminação da crise na zona do euro. Ao final da semana passada, o principal índice da Bolsa de Valores de Milão caiu 3,5%. Também as ações do maior banco do país, Unicredit Spa, caíram 7,9%.
Para piorar o quadro, o retorno extra exigido pelos investidores para manter bônus da Itália e da Espanha aumentou nesta manhã para os níveis mais altos desde a criação do euro. Segundo a Agência Estado, no começo da manhã, o spread (prêmio) do yield (retorno ao investidor) dos bônus de 10 anos da Itália subia 23 pontos-base sobre os títulos alemães, para o recorde de 266 pontos-base.
Esse aumento dá-se às vésperas, esta semana, da venda programada pela Itália de até 7,5 bilhões de euros em diferentes séries de bônus, com vencimentos entre 5 e 15 anos. O problema é comum a Grécia, Irlanda e Portugal, países que também tiveram dificuldades em levantar fundos no mercado com os yields dos bônus de 10 anos a 7%.
Sem me ater mais a detalhes, quero insistir, aqui, na avaliação sobre a Europa. O quadro não diz respeito apenas a uma crise conjuntural e nem ela se limita ao “velho” continente, como era conhecido. O que está em pauta, hoje, atinge principalmente os Estados Unidos. Não vê isso quem não quer.
E o quadro atual significa que o Brasil precisa adotar medidas para se proteger e evitar o contágio, que é inevitável hoje. Na prática, nada indica que a crise vá diminuir. Hoje, na Itália as manchetes dizem tudo: “Dia do Medo”. Medo de que as bolsas italianas sejam contaminadas pela crise Portuguesa e que Espanha e não resista à falta de confiança generalizada.
Para entender melhor a crise:
A Opinião:
Por enquanto o que fica é um grande ponto de interrogação, muito se especula mas enquanto não houver um rearranjamento das lideranças tudo fica confuso. Uma coisa é certa, o terror na ficção é infinitamente maior do que a realidade no momento para a maioria dos países.