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Leitura sem fronteiras - Tradutor

sábado, 30 de julho de 2011

A crise da dívida nos Estados Unidos


O Fato:

Entenda melhor a crise da dívida nos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, tem uma tarefa árdua para cumprir até a próxima terça-feira: evitar que o país entre em bancarrota conseguindo um acordo quase que milagroso entre os líderes republicanos e democratas do Congresso, em relação ao aumento do teto da dívida norte-americana. Os impasses maiores estão relacionados com o pacote de medidas e o prazo de cumprimento da dívida. Mas, como o professor de Economia da PUC-SP, Antonio Carlos dos Santos, observa, “esta crise está mais ligada à política do que à economia”.

“Democratas e republicanos têm uma visão de sociedade e de mundo totalmente diferentes. Republicanos hoje estão literalmente tomados por uma visão extremamente conservadora e limitada da economia. Não há possibilidade de encontrar um ponto em comum. É uma situação muito delicada”, alerta ele.
Basicamente, a economia americana e mundial está nas mãos de dois partidos políticos que não se entendem e tem duas propostas distintas. Republicanos querem cortar gastos públicos, e com isso, políticas públicas assistencialistas, além de defenderem aumentar o teto da dívida suficientemente para desafogar o governo americano, mas com um acordo de curto prazo. Já os democratas aceitam alguns cortes, mas priorizam o aumento da arrecadação de impostos sobre os ricos e um acordo de longo prazo, pois, assim, teriam muito mais chances de reeleição em 2012. Mas, depois de gastar bilhões para aquecer a economia após a crise de 2008, será que cortar gastos seria uma boa ideia?
“A economia ainda não apresenta uma recuperação sólida, então cortar gastos não é bom. Aumentar a arrecadação de imposto é uma boa ideia porque quem vai pagar é o pessoal de alta renda. Tanto do ponto econômico quanto social, isso faz todo o sentido. Os democratas estão defendendo o sistema de bem-estar social e os republicanos estão tentando destruir o Welfare State dos EUA. É isso que está em jogo”, analisa Antonio Carlos.
Afinal, como os Estados Unidos, a maior potência econômica do mundo, conseguiram chegar a esse ponto, prestes a declarar moratória? O professor de Política Internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), Adriano Freixo, responde:
“Nos últimos anos, os gastos públicos norte-americanos aumentaram enormemente, por conta do envolvimento em inúmeras guerras e das medidas para combater os efeitos da crise de 2008. Historicamente, a dívida norte-americana é alta, mas nesta última década a situação se agravou enormemente. E isto não se deve somente ao governo Obama, o governo Bush também abusou do cofre público”, explica Freixo.
A rivalidade antiga entre os dois principais partidos dos EUA, que se acirrou no governo Obama (a oposição republicana do governo de Bill Clinton não era tão intransigente) pode pôr tudo a perder.  Caso o acordo não saia, a economia mundial conheceria o verdadeiro caos, sem uma moeda de referência, já que todas as economias se baseiam no preço do dólar e o euro não está lá essas coisas. Só a possibilidade de não se chegar a um acordo já tem impactado o mercado, com a queda da bolsa no mundo inteiro. Se, efetivamente, a crise não tiver solução e o dólar continuar caindo, esta desvalorização pode afetar nosso mercado, prejudicando ainda mais nossas exportações, nossas indústrias, aumentando a entrada de importados, entre outras coisas.
“Acredito que eles vão conseguir entrar em um acordo dentro do prazo, mas não está mais na esfera da loucura se isso não acontecer. O cenário alternativo é tão catastrófico que é melhor nem pensar e as pessoas não estão nem considerando”, diz Antonio Carlos. 
Freixo já é mais otimista e acredita que “as próprias pressões que a sociedade norte-americana começa a fazer sobre seus congressistas para que se chegue a um acordo mínimo pode facilitar uma solução nos próximos dias”.
Barack Obama enfrentou grandes leões em seu primeiro mandato. Além de ter que lidar com os altos custos das guerras e com redução da carga tributária, criações de seu antecessor, Obama herdou uma imensa dívida que sucumbiu na crise econômica de 2008, primeiro ano de seu mandato. Diante dos frequentes ataques da oposição e da insatisfação da população, que se viu em uma situação econômica há muito tempo não experimentada, obrigada a encarar um alto índice de desemprego, sua reeleição poderia estar em risco, não fosse o “heróico” assassinato de Osama Bin Laden.
“A morte do Bin Laden foi positiva e o Obama capitalizou isso em termos de imagens para seu governo para tentar a reeleição. É difícil avaliar se ele seria reeleito ou não, pois existe uma certa imprevisibilidade. Se houver mesmo um agravamento da crise, isso não necessariamente vai recair sobre o Obama. Depende de como vai ser essa crise e como ela vai ser compreendida pelo eleitorado norte-americano”, avalia o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcus Ianoni.
Já Antonio Carlos analisa a situação de forma menos imparcial.
“Quando chega o momento de tomar a decisão certa, os americanos acabam tomando. No fim das contas, vai prevalecer o bom censo e os democratas vão ganhar. Principalmente porque os candidatos republicanos que até agora se apresentaram não são convincentes. O Obama, na minha opinião, é um animal político genial”, finaliza.


A Opinião:
Parece que a política bélica está cobrando seu preço agora e embora a crise esteja no momento mais agudo, o principal culpado não é o governo Obama e sim o governo Bush, afinal foram oito anos desastrosos.
Quando o Barack Obama foi eleito, o mundo se encheu de esperança, porém observa-se agora um governo pífio, que não conseguiu levar os Estados Unidos para longe do lamaçal para onde estavam caminhando.
Um presidente que ganhou o Prêmio Nobel da Paz mesmo envolvido em guerras, ele, que foi superestimado, até mesmo sobrevalorizado, apareceu como solução antes mesmo de ter sido testado e assim toda essa euforia em torno do nome do Obama agora se reverte em frustração.
Belos discursos, porém sem atitudes concretas. O assassinato (até agora envolto em mistério) do Osama Bin Laden, de fato serviu como cortina de fumaça para encobrir a crise, pena que não conseguiram resolver antes da fumaça se dissipar.
Pelo menos esse "ato heróico" de assassinar (mas cadê o corpo?) o inimigo número 1 dos Estados Unidos pode servir para garantir uma reeleição de um herói, um mito, que nada fez até o momento para justificar o cartaz que recebe.

O Debate:
Será que o mundo deixará de ter uma nação hegemônica?

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