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Leitura sem fronteiras - Tradutor

domingo, 30 de outubro de 2011

Epidemias


A Ficção inspirada na realidade:

Ficção inspirada na realidade

O filme Contágio, do diretor Steven Soderbergh, estreou ontem nos cinemas brasileiros. O longa-metragem conta a história da rápida propagação mundial de um novo vírus transmissível pelo ar e que mata em poucas horas e dos esforços das autoridades de saúde e dos cientistas para identificar as causas e conter a pandemia. Em meio a fatos e boatos sobre a gravidade da situação, o pânico acaba se espalhando na sociedade mais rapidamente que o próprio vírus.
Diante da sinopse, impossível não lembrar da recente pandemia de gripe A provocada pelo vírus H1N1, que causou a morte de cerca de 18 mil pessoas, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A vacina para a doença foi aprovada em setembro de 2009 (cinco meses após o surgimento do vírus) e gerou polêmica a respeito de sua segurança e de seus possíveis efeitos colaterais.
Apesar dos boatos, as autoridades de saúde do Brasil consideram que houve uma boa taxa de vacinação da população brasileira. Em agosto de 2010, a OMS anunciou o fim da pandemia do H1N1.
De volta à ficção, Contágio tem elementos que permitem ao espectador entender alguns dos processos envolvidos na investigação de uma epidemia e na corrida em busca da cura ou da prevenção de uma doença.
Segundo especialistas da área de saúde, presentes em uma sessão especial de lançamento do filme realizada ontem (28/10), muito do que é apresentado em Contágio guarda relação com a realidade, como o pânico instaurado na população. “Vivenciamos isso na pandemia da gripe H1N1”, disse Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
O infectologista Mauro Schechter, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos fundadores da Fundação para Pesquisa de Vacina, explicou que o patógeno do filme é inspirado em um vírus real presente em morcegos e inofensivo a esses animais, mas capaz de infectar porcos. No entanto, sua taxa de transmissão é muito maior que a do vírus real. “Além disso, o prazo [de dias] em que ocorre o desenvolvimento científico e a produção e aplicação da vacina no filme é irreal”, destacou.
Fonte: Ciência Hoje
A Opinião:

Será que o Brasil está preparado para enfrentar epidemias? 
Ano após ano sofremos com a dengue, o causador da doença é conhecido, porém apesar de todo o conhecimento está sendo difícil conter a doença.
A rede pública de hospitais sofre com a falta de investimentos. Os pesquisadores sofrem com a falta de verba visando a prevenção e cura de inúmeras doenças. E a educação, que permitiria maior eficácia nas campanhas de prevenção, está sempre em primeiro plano nos discursos políticos, mas nunca em primeiro plano nas ações governamentais.
Com tudo isso, não creio que o Brasil esteja preparado para uma situação como a descrita pelo filme. 
O caos não ficaria apenas por conta da falta de estrutura, mas também pela histeria coletiva do nosso povo subsidiada pela parte da mídia sensacionalista.

 

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